
Lisboa, 15 de Maio de 2007
Caro amigo Cavaco,
Nunca mais me escreveste. Imagino que analisar dossiers e aturar este governo socialista te deve ocupar grande parte do teu tempo. Eu compreendo.
Como tens passado? Sei que foste à Índia há uns meses atrás e ouvi dizer que não gostas de comida picante. Eu também lá fui em Dezembro do ano transacto e adorei, pois tive oportunidade de visitar o Taj Mahal e tu não. Ir à Índia e não visitar o Taj Mahal é como ir a Roma e não ver o Papa, já devias saber isso. E em Boliqueime, tua adorada terra natal, como vai a família? Espero que esteja tudo a correr pelo melhor.
Escrevo-te no seguimento da tua declaração sobre as comemorações do vinte e cinco de Abril. Em relação a este assunto, Cavaco, eu concordo contigo, os jovens de hoje em dia não respeitam o significado que este dia tem no nosso país e, por isso, não participam nas suas comemorações. São um bando de incultos que só querem é diversão e deixam de lado a importância e o significado que esta data histórica tem para a nossa nação. Sinceramente, eu penso que a culpa desta situação é da RTP. Sim, é da televisão pública portuguesa e escusas de ficar surpreso. Passo a explicar: com a vitória de Salazar no programa Os Grandes Portugueses, os jovens começaram a achar que ele é “o maior” e, por isso, não participaram nas comemorações do vinte e cinco de Abril, por esta ser a data, na qual há trinta e três anos atrás, o regime de Salazar foi abolido.
Na minha opinião, o vinte e cinco de Abril, para além de ser feriado (que me é muito útil, já que todos os anos vou neste dia para a minha terra matar o porco) é, de facto, um marco histórico que jamais pode ser esquecido. O derrube do maior regime ditatorial que o país e a Europa alguma vez assistiram tem de ser comemorado.
Cavaco, quero lembrar-te que podes sempre contar comigo para o que der e vier. Eu estou contigo, apesar de muitos do teu partido, não estarem. Por isso, em relação a este flagelo social (refiro-me como é óbvio ao desinteresse por parte dos jovens em comemorar esta data tão importante), dou-te alguns conselhos para que, no próximo ano, esta situação deplorável não se repita: primeiro, multas a televisão pública por dissuadir os jovens (se bem que indirectamente) a participar nas comemorações do vinte e cinco de Abril; segundo, criticas o Salazar, numa tentativa de que os jovens esqueçam a votação daquele péssimo concurso televisivo; terceiro, crias uma nova disciplina – Feriados Nacionais – na qual os jovens têm que conhecer as datas com maior significado histórico para o nosso país, para além de serem obrigados a participar em todas as comemorações inerentes. E com isto, vais ver que o interesse dos jovens pela história aumenta consideravelmente.
Cavaco, admiro a tua solidariedade institucional. Tenho um enorme orgulho, enquanto português, em ter um Presidente da República como tu.
Vai dando notícias. Sei que tens uma agenda política muito ocupada, mas tenta arranjar um tempinho para este teu “fã” dedicado.
Um bem-haja do teu amigo e conselheiro sócio-económico-político-cultural, que muita estima tem por ti,
Professor Cajó dos Remédios Meireles